Unidade 1. Sociedade e Trabalho Contemporâneo em Tempos de Epidemia/Pandemia

Nas últimas décadas, o mundo vem vivenciando profundas transformações geopolíticas, sociais, econômicas, tecnológicas, ambientais e culturais que têm impactado diretamente a existência do homem no planeta, tanto no sentido de propiciar melhores condições de vida, alternativas mais eficazes e velozes de comunicação e informação, maior liberdade nos costumes, quanto, e principalmente, no sentido de impactar negativamente os ambientes ecológico, de vida e de trabalho, aprofundando as desigualdades econômicas e sociais.

Esse movimento adquire maior visibilidade a partir da década de 1980, com o fortalecimento da chamada globalização, um processo de integração econômica entre países, geralmente (mas não necessariamente) próximos em termos geográficos. Esses países passaram a se organizar em blocos econômicos e a integrar os seus mercados para que pudessem se tornar mais competitivos em âmbito global e fortalecer seus mercados consumidores internos e externos, e, em decorrência, as suas economias. Alguns tratados de livre comércio foram estabelecidos entre países de um mesmo bloco econômico, permitindo que os produtos circulassem entre eles em maior intensidade e com preços mais baixos em virtude da abertura de mercados e da redução de tarifas alfandegárias. São exemplos de blocos econômicos a União Europeia, o NAFTA (North American Free Trade Agreement) e o Mercosul (Mercado Comum do Sul), do qual o Brasil faz parte.

Blocos econômicos mundiais. Fonte: Wikimedia Commons

Ao mesmo tempo que os bens econômicos passaram a circular em maior intensidade mundialmente e a economia se tornou cada vez mais globalizada, uma série de outros aspectos da vida humana também foram se tornando “globais”: o mercado financeiro, os padrões de consumo e de qualidade, a cultura, os costumes, a ciência, o trabalho, as comunicações e a saúde, por exemplo. Mas também se globalizaram a violência, o tráfico de pessoas e de drogas ilícitas, as injustiças, o preconceito, as desigualdades sociais, a destruição do meio ambiente, entre outros.

Nesse contexto, você já notou que, no que concerne à saúde-doença coletiva, é inquestionável, especialmente nos dias atuais, que se trata de um problema global: as doenças se manifestam de forma semelhante em âmbito global, e, nesse aspecto, temos como bons exemplos a obesidade (que é uma doença pandêmica), as doenças cardiovasculares, o câncer e, no campo das causas externas, a violência. No entanto, foi a pandemia de COVID-19 que, pela sua elevada transmissibilidade, gravidade, capacidade de sobrecarregar os serviços de saúde e gerar tantos óbitos em tão pouco tempo, escancarou para o mundo a forma e a velocidade com que uma doença infecciosa grave é capaz de se propagar em decorrência do deslocamento de pessoas pelo mundo. Nesse contexto, o SUS, apesar dos inegáveis avanços e das diversas experiências exitosas alcançadas no âmbito das políticas públicas nas últimas décadas, se tornou ainda mais sobrecarregado, e muitos serviços de saúde chegaram a colapsar em alguns momentos.

Saiba mais

Se você quiser conhecer mais sobre a história do SUS, seus fundamentos e organização, bem como seus avanços e impactos, sugerimos a leitura do livro Desafios do SUS, de autoria do Professor Eugênio Vilaça Mendes (2019).

A pandemia nos obrigou a refletir sobre os impactos das nossas ações (especialmente as corporativas) no planeta e sobre a necessidade de fortalecer “a consciência de que a saúde é um bem indivisível, e de que o gênero humano está vinculado por um destino comum” (BERLINGUER, 1999, p. 23).

Ou seja, você pode perceber que estamos "sentindo na carne" como um vírus novo que surge em algum lugar no mundo é capaz de, em poucos meses, se espalhar e causar grande destruição e sofrimento em praticamente todos os cantos do planeta, a ponto de alterar totalmente os rumos da história da humanidade e fazer o planeta literalmente parar, como cantou Raul Seixas.

Saiba mais

Convidamos você a ouvir a música O dia em que a Terra Parou, de Raul Seixas. Nela, o compositor imagina uma situação futura de caos planetário, em que as pessoas não podem sair de suas casas e interrompem as suas atividades cotidianas.

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